CORINTHIANS x FLAMENGO



Torcida Jovem do Flamengo



Mais de duas horas antes do jogo fui para o estádio da Ponte Preta, que fica a poucas quadras do Brinco de Ouro. Sabia que iria encontrar amigos e integrantes da Jovem da Ponte. A TJP estava em um grupo bom, cerca de 60 pessoas. Também havia bastante gente com camisetas do Flamengo e da Raça Rubro Negra, apesar da caravana do Rio só ter chegado depois.





Antes da caravana das organizadas de São Paulo chegar, encontrei o pessoal da Rua São Jorge (Americana) em um time muito bom em frente ao portão do tobogã. Só nesse grupo havia cerca de 50 pessoas e muitos outros corinthianos ainda esperavam para entrar no estádio.



A chegada das organizadas

O jogo começou e, como de costume, a polícia estava segurando as organizadas do Corinthians antes de chegar em Campinas. Depois de muito tempo, falo com um amigo da Camisa 12. As torcidas já estavam em um único comboio e entrando na cidade. Terminado o primeiro tempo, nada de caravana corinthiana no Brinco. Então, sem ninguém conseguir explicar o motivo, sou avisado que os ônibus mudam de caminho e seguem no sentido Capital. Decido entrar no estádio, que já está lotado. O jogo recomeça e recebo outra ligação. Parecia loucura, mas os ônibus estavam voltando para o estádio.



A partida começou as 17h e as organizadas de São Paulo, que já estavam na região há bastante tempo, só chegaram no estádio às 18h30. Para melhorar a situação, uma entrada e poucas catracas para os corinthianos, que começam a se espremer. Rapidamente, a situação fica insustentável. Começam a liberar a entrada de torcedores também por um vão sem catraca, alguns começam a pular, muito empurra-empurra. Frente à confusão, alguns fiscais desistem de pedir ingressos e a massa corinthiana continua se forçando à frente. As catracas já não valem de nada e uma quase é tombada pela força da multidão.





Esta era a situação do tobogã superior do Brinco de Ouro antes da caravana de São Paulo chegar. Cade o espaço para os cerca de 1500 torcedores que estavam passeando pelo interior guiados pela polícia?



Quando os torcedores da Capital finalmente entram no estádio descobrem que não há lugar na arquibancada. Cade o Estatuto do Torcedor? O torcedor que comprou o ingresso e foi até o estádio não tem o direito de assistir o jogo? E se isso não acontece, quem é o responsável pelo prejuízo?





A partida de hoje no Brinco foi uma vergonha. É mais uma prova de que o maior inimigo das torcidas - seja Gaviões, Jovem Fla ou qualquer outra - são as pessoas que mandam no futebol e estão matando esta paixão popular. Se as torcidas se organizam para torcer, deveriam fazer o mesmo para exigir um tratamento melhor nos jogos.



Muitos flamenguistas presentes em Campinas e o setor visitante completamente lotado.





*Guerreiro e diretoria da Gaviões, amigos da Camisa 12, da Jovem da Ponte, da Rua São Jorge, e pessoal da Jovem Fla. Valeu mesmo todo mundo que deu uma força. Futebol também é campo para amizade e é sempre bom rever parceiros de estádio.

ANIVERSÁRIO MALUCOS DO TIGRE



Não acompanhei nenhum jogo no fim de semana, mas aproveitando que estava no interior, fui à festa de 20 anos da Malucos do Tigre, torcida do Rio Branco de Americana.



Várias torcidas amigas marcaram presença na festa: Fúria Andreense (Santo André), Sangue Azul (Rio Claro), Loucos (Barueri) e Sancaloucos (São Carlos).





Apesar de ser torcida de uma cidade pequena do interior, a Malucos tem uma estrutura muito boa. A sede conta com campo de futebol, espaço para churrasco, loja e bar.



Os fundadores da Malucos do Tigre

O nome Malucos vem do maluco beleza Raul Seixas e Tigre é o "apelido" do clube. A torcida foi fundada no final de 1989 por alguns amigos, que depois de tantos anos de "maluquice" acabaram se mudando para São Tomé.



Histórias, curiosidades, fotos e vídeos sobre o Rio Branco no blog As Mil Camisas



*Agradeço ao amigo Rogerião (diretor da torcida) e a todo o pessoal que me recebeu muito bem em Americana

RIVER PLATE x BOCA JUNIORS

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"Bêbados" em Hurlingham

River e Boca é um dos maiores clássicos do futebol mundial, isto é fato mesmo para aqueles que não simpatizam com o estilo dos barra bravas. Com muito orgulho, esta é a primeira cobertura internacional do blog e não poderia ser em jogo melhor.

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Acompanhar o superclássico argentino é uma experiência única, carregada de emoções, tensões e dificuldades. O primeiro obstáculo é conseguir a entrada para o jogo. A não ser que você esteja interessado em comprar pacotes caríssimos para turistas e ficar longe da verdadeira "diversão", comprar ingresso é muito difícil, mais ainda para um estrangeiro. Fã dos milionários, já tinha acompanhado alguns jogos do River, inclusive outro clássico contra o Boca, e contava com alguns contatos. O hermano Pablo, do bairro de Hurlingham, não só garantiu meu ingresso como me convidou para acompanhar os "hinchas"* da sua área. O ponto de encontro dos torcedores foi um churrasco ali mesmo no bairro, uma região afastada de Buenos Aires. Todos muito animados, afinal era dia de clássico, e muita bebida, afinal eles são os famosos Borrachos (bêbados) Del Tablón.

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Depois do churrasco, de muitos litros de vinho (e de maneira impressionante, muitos litros ainda estavam por vir) e de ter ganhado uma camiseta dos torcedores da área, caminhamos para a estação de trem. O grupo inicial de 50 pessoas foi crescendo rapidamente, assim como o volume das músicas, cantadas por todos. A atmosfera da linha de trem General Urquiza, ali com a Banda Del Furgón*, era sensacional. Sem ter percebido direito, quase como mágica, vi o trem tomado por torcedores do River. Ainda a caminho do Monumental, uma correria rápida nos vagões, daquelas que todo torcedor sente imediatamente que é confusão. Na verdade, não foi grande coisa, afinal como eles dizem "el urquiza es de river", ou seja, ali quem manda são eles. Então, a festa, a batucada e os litros de vinho continuaram.

*Banda Del Furgón: nome dado ao grupo porque costuma viajar no "furgón" - parte final do trem, destinada às bicicletas e onde os passageiros "comuns" buscam distância, é como se fosse a periferia dos vagões.

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Concluído o trajeto de trem, a parte final até o estádio seria de ônibus. Impressionante é que assim como os hooligans ingleses faziam em outras décadas, quando as câmeras de segurança não estavam por todos os lados, todo o deslocamento dos torcedores foi sem gastar nada. Ninguém comprou passagens e a multidão que havia invadido e dominado o trem agora fazia o mesmo, sem problema algum, no ônibus. No que eu estava tinha cerca de 200 pessoas. Inacreditável era ver como tanta gente conseguia estar ali e ainda cantar e beber. Qualquer sociólogo ou pesquisador chamaria de êxtase coletivo, mas para nós era simplesmente a imensa alegria de ver o River jogar um clássico. Qualquer desconforto ou dificuldade não era nada. Apenas o futebol importava e a festa não se limitaria aos 90 minutos de bola rolando.

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A famosa banda dos Borrachos Del Tablón

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Dentro do estádio os barra bravas deram show. Não tem como explicar de outra maneira, foi um verdadeiro espetáculo. Muitos trapos, tirantes, os tradicionais guarda-chuvas e uma cantoria que não parava. No primeiro tempo foram distribuídos "salsichões" de plástico nas cores vermelho e branco. No segundo foi a vez da tempestade (chuva seria pouco) de papel picado.

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A pedido dos próprios integrantes, não fotografei de perto ninguém da banda dos Borrachos. Fui muito bem tratado por todos, mas eles não gostam de expor seus rostos.

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"River, te quiero vos sos mi vida, mi locura mi alegria"

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"Vamo Millonario que hay que ganar... que esta Hinchada loca va a todos lado..."

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"yo te sigo a todos lados, siempre voy descontrolado"

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Os bosteros também fizeram sua parte, mas não fiz fotos dos visitantes. A torcida do Boca estava em cerca de 3 mil pessoas, que partiram escoltados da Bombonera até o Monumental.

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*Pedimos desculpas pela demora da publicação deste post. O ocorrido é que o cabo de energia do notebook onde as fotos estavam foi perdido.

*Nossos agradecimentos ao Pablo e todos os hinchas de Hurlingham e também aos hermanos da Página Millonaria (www.riverplate.com) por cederem algumas fotos.